A Brigantina

Thursday, October 18, 2007

Provedor do Estudante da UP

Um apoio que muitos desconhecem

A Universidade do Porto (UP) possui uma entidade que muitos alunos desconhecem: o Provedor do Estudante. Este serviço de apoio aos alunos é actualmente representado pela professora Maria de Lurdes Correia Fernandes. Ao JUP, a professora falou das suas funções e dos pedidos de ajuda que mais lhe chegam às mãos.

A figura do Provedor é uma entidade criada há cerca de 3 anos pelo Senado da UP e a ela cabe o papel de escutar a voz dos alunos e dirigentes das estruturas da Universidade com eventuais queixas ou dúvidas que surjam. Deve analisar cada caso e intervir, dando sugestões e tomando decisões concretas. Em entrevista ao JUP, a Provedora do Estudante afirmou que “o provedor deve velar pela sã convivência universitária e por ver se os estudantes estão a ser tratados com a dignidade que merecem. Tem também um papel de mediador entre o estudante e a instituição, ou seja, os órgãos de gestão, os professores, por forma a resolver situações de conflito ou de não respeito pelos direitos e deveres quer pelos professores como pelos alunos”.

Nem sempre os protestos que os alunos da UP apresentam são totalmente correctos e cabe à Provedora do Estudante averiguar os dois lados, ou seja ouvir o estudante mas ouvir também a instituição de que este se queixa. Segundo a professora Maria de Lurdes, “o meu papel é sobretudo o de ver os problemas que existem , tentar dar uma opinião, mediar conflitos e tentar averiguar se o estudante tem razão. Nem sempre o protesto do estudante é totalmente justo. É sempre de um ponto de vista a que eu atendo, mas tento sempre ver também o outro ponto de vista e ouvir a opinião do lado oposto. Caso se detecte que o estudante tem razão, tomarei as medidas de aconselhamento (visto que não tenho poder executivo) para solicitar que sejam corrigidas situações que são anómalas no quadro do que são as regras de sã convivência e de funcionamento da Universidade do Porto”.

Apesar de este serviço prestar um importante papel de apoio aos alunos, poucos são os que o conhecem. Em conversa com alguns alunos das várias faculdades da UP, a ideia geral é a de que quase ninguém sabe da existência do Provedor do Estudante.
Cristina Maia, aluna do 3º ano da faculdade de Ciências Farmacêuticas diz nunca ter ouvido falar neste serviço que a UP disponibiliza. “Nunca ouvi falar. Mas nunca é tarde e a partir de agora, se tiver algum problema de maior, já sei a quem recorrer. Penso que é muito bom que haja um Provedor do Estudante porque, muitas vezes temos problemas que a secretaria não nos consegue resolver e assim é-nos garantido um outro apoio.”

Sandra Pinto, aluna do 2º ano do curso de Direito da UP, sublinha a necessidade de os alunos terem apoios deste tipo dentro da Universidade. “Penso que é importantíssimo que haja um apoio como este para que os alunos exponham sem problemas as suas dúvidas e esclareçam os seus problemas. É uma pena não haver mais divulgação sobre este serviço, pois tenho a certeza que muitos alunos tentariam este apoio, principalmente quando se sentem injustiçados e na secretaria da faculdade não lhe fazem nada. Eu própria não sabia que existia.”

A actual Provedora do Estudante admite que a divulgação que é feita sobre os seus serviços pode ser melhorada e garante que vai tomar medidas por pôr esta informação mais acessível no site da Reitoria.

São vários os meios através dos quais os alunos podem contactar com a Provedora do Estudante. “O mais utilizado é o e-mail, mas também mandam muitas vezes os pedidos por carta ou marcam com a minha secretária uma audiência. Este ano têm chegado muitos pedidos via e-mail relacionados com a implementação do processo de Bolonha, principalmente no que toca aos planos de transição. O tipo de reclamações varia com as alturas do ano. Quando há mais afluência é na altura em que saem os resultados dos exames finais. Também tenho alguns casos de problemas pedagógicos. Aí, normalmente peço ao Conselho Pedagógico que analise a situação”, refere a professora Maria de Lurdes.

Segundo a Provedora do Estudante, muitas vezes os alunos têm receio de falar sobre determinadas situações, sobretudo quando têm que referir o nome de um professor, pois têm medo das represálias. “Quando o estudante tem razão, deve dizer que acha que tem razão e expor o problema. Se o problema for de vários alunos, o ideal é fazerem um texto e assinarem em conjunto. Quanto á identidade, se um aluno me pedir que reserve a sua identidade, em caso algum direi quem me fez a queixa”, esclarece a professora.



Cláudia Gomes

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