Feira da Senhora da Hora
“Para a semana há mais”
São nove horas e já está uma confusão enorme no recinto da feira da Senhora da Hora. Ouvem-se palavras apelativas vindas de todos os lados, é incrível. Ao fundo destaca-se a Dona Manuela que vende dois pares de meias por um euro. “É a meiinha boa! É duas a um euro, venham ver”, diz ela para chamar a clientela.
Logo à entrada é-se invadido e evadido por sons, cheiros, vozes, que despertam curiosidade. Os sentidos têm que funcionar na perfeição para que se possa perceber tudo o que nos rodeia, tal é a quantidade de apelos que fluem naturalmente.
A feira que já se faz há mais de 50 anos é ainda hoje um lugar muito movimentado, que serve para as pessoas passearem, conviverem, comprarem por baixo preço alguns artigos como roupa ou calçado, ou apenas para comprarem as famosas hortaliças “frescas e de confiança”, como diz Ana Correia de Araújo, proprietária de uma banca de produtos hortícolas. “Esta feira é muito boa, vende-se muito bem, as minhas clientes já me conhecem e vêm sempre comprar a minha hortaliça. Para além disso ao nível da organização também acho que está muito bem e por isso só tenho a dizer bem da feira”, refere a “dona Aninhas”, como lhe chamam as vizinhas de banca.
Fátima Silva e a sua mãe já se atrapalhavam com a quantidade de sacos que levavam em cada mão. Vieram passear à feira, como já é habitual fazerem ao sábado de manhã. ”A diversidade de roupas a baixo preço e o ambiente saudável e animado que se vive aqui são o que me traz cá quase todas as semanas”, diz Fátima.
Num dos vários corredores sente-se um intenso cheiro a café. É o único local onde se vende café na feira. Augusto Afonso garante que o seu café é especial. “Para além de ser único e não ter concorrência, é gabado por todos os fregueses. Não há quem diga mal do meu cimbalino. Até tenho clientes que dizem vir só à feira para tomar o café aqui e, claro, aproveitar para passear”, diz o comerciante.
“Cinco eurinhos, é só uma notinha”, grita Julisete Coutinho na sua banca de bijuterias, relógios e cintos. “O negócio está um bocadinho fraco, mas esta feira não é das piores. Pelo contrário, gosto muito de fazer esta feira porque vendo bem e porque aqui as pessoas procuram material com mais qualidade, mesmo que tenham que pagar mais. As pessoas valorizam o artigo e isso é bom para quem vende”, diz a feirante, que vende aqui há seis anos. A sua filha de dez anos toma conta da banca ao lado, a vender perfumes. “Gosto muito de ajudar a minha mãe a fazer feiras, divirto-me e ainda vendo alguma coisa! Hoje o negócio está fraco, ainda não vendi quase nada”, diz Sheila.
Mais à frente sente-se um forte cheiro a peixe, aproxima-se o corredor das peixarias. “É Peixinho fresquinho da melhor qualidade”, “Olha o carapau fresquinho”, “Salmão fresquinho e barato”, são algumas das frases que se ouvem e se misturam com as dos feirantes do corredor em frente. Judite Sousa já vem a esta feira há muitos anos e está satisfeita com o serviço que lhe prestam. “Gosto muito de fazer compras aqui porque o ambiente é outro, não tem nada a ver com ir ao supermercado. É um ambiente mais acolhedor e muitos dos feirantes a quem faço compras já os conheço há muitos anos, confio nos seus produtos. Por exemplo, a hortaliça e o peixe prefiro comprar aqui todas as semanas, já é um hábito”, refere.
Por volta das dez da manhã, a confusão sentiu-se ainda mais. Para manter a ordem e evitar situações desagradáveis está sempre um corpo policial constituído por vários agentes que rondam o recinto. Segundo o chefe Francisco Nunes, “estamos no local essencialmente para preservar a integridade física das pessoas e para prevenir situações problemáticas entre feirantes e a instituição (Câmara Municipal de Matosinhos) e também para a tranquilidade das pessoas que visitam a feira, para que se sintam seguras quando vêm cá. Relativamente a inspecções, esta feira tem sofrido algumas. “Fazem-se inspecções regularmente, uma vez por mês ou mais, adianta o chefe Nunes.
“Carteiras anti-roubo! Elas apitam quando se aproximam os carteiristas!”, Gritava Ivo Borges, na tentativa de chamar clientela. Ao lado estava uma tendinha a promover a Netcabo. Bárbara Silva, da TV Cabo, diz que as pessoas aderem imenso aos produtos promovidos na feira. “As pessoas estão num ambiente relaxado, andam a passear e, por isso, é mais fácil conversar com elas. Não estão com pressa ou com o carro mal estacionado. É uma relação diferente que se tem com os clientes aqui na feira, não tem nada a ver com a relação que se tem na loja”. Um cliente que estava no momento a pedir informação, Casimiro Cardoso, diz que é óptimo que este tipo de empresas se desloque para estes locais. “A comunicação entre empresa e cliente é mais fácil aqui. No dia-a-dia não temos tempo para ir directamente ao balcão da loja pedir informações. Assim conseguimos ficar até mais esclarecidos, pois não estamos com pressa e juntamos o útil ao agradável”, diz com satisfação.
Ao longo do recinto barraquinhas e mais barraquinhas vão preenchendo o cenário. Apenas um pequeno edifício se destaca. Este edifício tem as casas de banho e uma sala para a organização da feira, pertencente à Junta de Freguesia da Senhora da Hora. Joaquim Ferreira, um dos organizadores, está satisfeito com os resultados e garante que nenhum feirante diz mal da feira relativamente à forma como está organizada. “Esta feira é muito especial. Porque serve a população, serve a Junta de Freguesia, dá postos de emprego e traz muito movimento, até para as casas comerciais exteriores à feira. Em geral é bom para toda a gente. Para além disso é feita ao sábado de manhã, dia em que muitas pessoas não trabalham e isso ajuda a que tenha mais gente.”
Desde roupa, a calçado, acessórios de moda, louças, tecidos, tapetes, carne, peixe, produtos hortícolas e frutícolas e até animais, vende-se um pouco de tudo na feira da Senhora da Hora, que comporta cerca de 600 lugares para bancas.
A volta completa está dada por volta das 11.30 horas. Passa-se uma manhã repleta de sensações e emoções nesta feira tão típica e característica do povo que a promove. Segundo a Câmara Municipal de Matosinhos, “peregrinar nas feiras da Senhora da Hora e de Custóias em banhos de multidão, música popular e pregões pronunciados por quem vende, é participar num acto cultural e no dinamismo das nossas gentes”.
À saída da feira, já por volta do meio-dia, as pessoas que saíam levavam os sacos e os carrinhos de compras cheios. O movimento continuava a ser muito, parecendo a saída do recinto quase uma espécie de romaria, por todo o frenesim que ainda se vivia mesmo já quando se aproximava a hora de a feira acabar (13 horas).
“Aproveitem que já está a acabar! A cigana está maluca, é só cinco euros!” ouvia-se à saída. Uma senhora que estava também a sair da feira respondeu com um sorriso enternecedor: “para a semana há mais”.
São nove horas e já está uma confusão enorme no recinto da feira da Senhora da Hora. Ouvem-se palavras apelativas vindas de todos os lados, é incrível. Ao fundo destaca-se a Dona Manuela que vende dois pares de meias por um euro. “É a meiinha boa! É duas a um euro, venham ver”, diz ela para chamar a clientela.
Logo à entrada é-se invadido e evadido por sons, cheiros, vozes, que despertam curiosidade. Os sentidos têm que funcionar na perfeição para que se possa perceber tudo o que nos rodeia, tal é a quantidade de apelos que fluem naturalmente.
A feira que já se faz há mais de 50 anos é ainda hoje um lugar muito movimentado, que serve para as pessoas passearem, conviverem, comprarem por baixo preço alguns artigos como roupa ou calçado, ou apenas para comprarem as famosas hortaliças “frescas e de confiança”, como diz Ana Correia de Araújo, proprietária de uma banca de produtos hortícolas. “Esta feira é muito boa, vende-se muito bem, as minhas clientes já me conhecem e vêm sempre comprar a minha hortaliça. Para além disso ao nível da organização também acho que está muito bem e por isso só tenho a dizer bem da feira”, refere a “dona Aninhas”, como lhe chamam as vizinhas de banca.
Fátima Silva e a sua mãe já se atrapalhavam com a quantidade de sacos que levavam em cada mão. Vieram passear à feira, como já é habitual fazerem ao sábado de manhã. ”A diversidade de roupas a baixo preço e o ambiente saudável e animado que se vive aqui são o que me traz cá quase todas as semanas”, diz Fátima.
Num dos vários corredores sente-se um intenso cheiro a café. É o único local onde se vende café na feira. Augusto Afonso garante que o seu café é especial. “Para além de ser único e não ter concorrência, é gabado por todos os fregueses. Não há quem diga mal do meu cimbalino. Até tenho clientes que dizem vir só à feira para tomar o café aqui e, claro, aproveitar para passear”, diz o comerciante.
“Cinco eurinhos, é só uma notinha”, grita Julisete Coutinho na sua banca de bijuterias, relógios e cintos. “O negócio está um bocadinho fraco, mas esta feira não é das piores. Pelo contrário, gosto muito de fazer esta feira porque vendo bem e porque aqui as pessoas procuram material com mais qualidade, mesmo que tenham que pagar mais. As pessoas valorizam o artigo e isso é bom para quem vende”, diz a feirante, que vende aqui há seis anos. A sua filha de dez anos toma conta da banca ao lado, a vender perfumes. “Gosto muito de ajudar a minha mãe a fazer feiras, divirto-me e ainda vendo alguma coisa! Hoje o negócio está fraco, ainda não vendi quase nada”, diz Sheila.
Mais à frente sente-se um forte cheiro a peixe, aproxima-se o corredor das peixarias. “É Peixinho fresquinho da melhor qualidade”, “Olha o carapau fresquinho”, “Salmão fresquinho e barato”, são algumas das frases que se ouvem e se misturam com as dos feirantes do corredor em frente. Judite Sousa já vem a esta feira há muitos anos e está satisfeita com o serviço que lhe prestam. “Gosto muito de fazer compras aqui porque o ambiente é outro, não tem nada a ver com ir ao supermercado. É um ambiente mais acolhedor e muitos dos feirantes a quem faço compras já os conheço há muitos anos, confio nos seus produtos. Por exemplo, a hortaliça e o peixe prefiro comprar aqui todas as semanas, já é um hábito”, refere.
Por volta das dez da manhã, a confusão sentiu-se ainda mais. Para manter a ordem e evitar situações desagradáveis está sempre um corpo policial constituído por vários agentes que rondam o recinto. Segundo o chefe Francisco Nunes, “estamos no local essencialmente para preservar a integridade física das pessoas e para prevenir situações problemáticas entre feirantes e a instituição (Câmara Municipal de Matosinhos) e também para a tranquilidade das pessoas que visitam a feira, para que se sintam seguras quando vêm cá. Relativamente a inspecções, esta feira tem sofrido algumas. “Fazem-se inspecções regularmente, uma vez por mês ou mais, adianta o chefe Nunes.
“Carteiras anti-roubo! Elas apitam quando se aproximam os carteiristas!”, Gritava Ivo Borges, na tentativa de chamar clientela. Ao lado estava uma tendinha a promover a Netcabo. Bárbara Silva, da TV Cabo, diz que as pessoas aderem imenso aos produtos promovidos na feira. “As pessoas estão num ambiente relaxado, andam a passear e, por isso, é mais fácil conversar com elas. Não estão com pressa ou com o carro mal estacionado. É uma relação diferente que se tem com os clientes aqui na feira, não tem nada a ver com a relação que se tem na loja”. Um cliente que estava no momento a pedir informação, Casimiro Cardoso, diz que é óptimo que este tipo de empresas se desloque para estes locais. “A comunicação entre empresa e cliente é mais fácil aqui. No dia-a-dia não temos tempo para ir directamente ao balcão da loja pedir informações. Assim conseguimos ficar até mais esclarecidos, pois não estamos com pressa e juntamos o útil ao agradável”, diz com satisfação.
Ao longo do recinto barraquinhas e mais barraquinhas vão preenchendo o cenário. Apenas um pequeno edifício se destaca. Este edifício tem as casas de banho e uma sala para a organização da feira, pertencente à Junta de Freguesia da Senhora da Hora. Joaquim Ferreira, um dos organizadores, está satisfeito com os resultados e garante que nenhum feirante diz mal da feira relativamente à forma como está organizada. “Esta feira é muito especial. Porque serve a população, serve a Junta de Freguesia, dá postos de emprego e traz muito movimento, até para as casas comerciais exteriores à feira. Em geral é bom para toda a gente. Para além disso é feita ao sábado de manhã, dia em que muitas pessoas não trabalham e isso ajuda a que tenha mais gente.”
Desde roupa, a calçado, acessórios de moda, louças, tecidos, tapetes, carne, peixe, produtos hortícolas e frutícolas e até animais, vende-se um pouco de tudo na feira da Senhora da Hora, que comporta cerca de 600 lugares para bancas.
A volta completa está dada por volta das 11.30 horas. Passa-se uma manhã repleta de sensações e emoções nesta feira tão típica e característica do povo que a promove. Segundo a Câmara Municipal de Matosinhos, “peregrinar nas feiras da Senhora da Hora e de Custóias em banhos de multidão, música popular e pregões pronunciados por quem vende, é participar num acto cultural e no dinamismo das nossas gentes”.
À saída da feira, já por volta do meio-dia, as pessoas que saíam levavam os sacos e os carrinhos de compras cheios. O movimento continuava a ser muito, parecendo a saída do recinto quase uma espécie de romaria, por todo o frenesim que ainda se vivia mesmo já quando se aproximava a hora de a feira acabar (13 horas).
“Aproveitem que já está a acabar! A cigana está maluca, é só cinco euros!” ouvia-se à saída. Uma senhora que estava também a sair da feira respondeu com um sorriso enternecedor: “para a semana há mais”.

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