A Brigantina

Sunday, February 15, 2009

Jornalismo do cidadão

Jornalismo do cidadão

A sua génese, os seus efeitos e algumas reacções

«O mundo, tal como o conhecíamos, mudou substancialmente com o aparecimento da Internet. Sociedade da Informação, Era digital, do Ciberespaço ou da Internet são apenas diferentes designações para uma nova realidade com implicações inevitáveis ao nível social, cultural, económico e político» (Elisabete Barbosa, 2003).
O ciberespaço, ao constituir-se como um novo espaço de sociabilidade, gera também novas relações sociais, com estruturas e códigos próprios. Estes códigos são uma reformulação das conhecidas formas de sociabilidade, agora adaptadas às novas condições de espaço e de tempo. Neste sentido, verifica-se que os “self-media”, em particular os weblogs ou blogues, se assumem como novos actores sociais. A relevância que a sociedade lhes atribui está directamente relacionada com a representação que esta tem nos media.
Nos anos 90, começa a III Revolução Industrial – surgem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Nasce o “netcitizen”, o cidadão do mundo digital, à deriva na teia da Internet, com acesso ilimitado à informação e à auto-edição. A introdução das novas tecnologias nas esferas pública e privada da sociedade, mais do que uma reformulação, originou um novo campo sócio-cultural e, consequentemente, comunicacional. É a era da Cibercultura e do paradigma da individualização da comunicação. Não pela oposição à comunicação de massas, mas pela aceleração da experiência através da electrónica num novo universo de sociabilização: o ciberespaço.
Nos EUA, após as eleições presidenciais de 1998, começa a surgir o jornalismo do cidadão, como contraponto à crescente desconfiança dos cidadãos em relação aos media noticiosos e à actividade política.
«A Internet é hoje o tecido das nossas vidas. Não é o futuro. É o presente. A Internet é um meio totalmente abrangente, que interage com o conjunto da sociedade» (Manuel Castells, 2000). A Internet é um dos principais efeitos da transformação em curso na sociedade. Este novo dispositivo de comunicação permite grandes colectividades “desterritorializadas”, constituindo «um avanço decisivo em direcção a novas formas (mais evoluídas) de inteligência colectiva», afirma Pierre Lévy (2001). O ciberespaço permite um dispositivo de “comunicação todos-todos”, por oposição aos media tradicionais/clássicos – “relação um-todos” (Lévy).
O ciberespaço, onde o indivíduo é potencial receptor e emissor, permite a exploração de um espaço de comunicação que remete para uma rede de significações, que «está entregue à partilha e à reinterpretação dos participantes em dispositivos de “comunicação todos-todos» (Idem, ibidem). Ainda que virtual, o ciberespaço existe e produz efeitos. Pode ser definido como o espaço potenciado pelas comunicações mediadas por computador (email, fóruns, chat, weblogs, newsgroups) e assume-se como um modelo de comunicação individual, permitindo ao receptor ser simultaneamente emissor. Espaço de fluxos, assume-se como a dimensão social da rede permitindo a difusão de comunicação/informação à escala global, o que provoca um intenso processo de inclusão e exclusão de pessoas na rede. O ciberespaço, enquanto plataforma social da economia digital, assume-se como a materialização da globalização.
Para Anthony Giddens (1999), a globalização corresponde à intensificação das relações sociais globais que ligam comunidades locais. O autor defende que o fenómeno da globalização está directamente relacionado com a “glocalização”, ou seja, o processo de globalizar o local. A “glocalização” remete para a importância do local no contexto global, que se destaca por oposição à ideia de massificação. A “glocalização” existe a par da globalização, e integra todo o processo de transformações económicas e as suas consequências políticas, sociais e culturais à escala mundial.
A Internet, enquanto nova esfera da opinião pública, permite a democratização da difusão de comunicação. Trata-se da liberdade de acesso à difusão. Logo, os webzines, as páginas pessoais, os fóruns, os chats, as listas de discussão, os weblogs (as comunicações mediadas por computador) dão existência a um novo fenómeno – a auto-edição. Os cidadãos foram promovidos de receptores passivos a emissores.
Maria Teresa Sandoval Martín (2000) defende que a Internet não está só a mudar os modos de acesso à informação pelos utilizadores, o modelo de comunicação tradicional, a economia mundial e as empresas de comunicação, mas também o perfil do jornalista. Carl Stepp (1996), afirma também que “a Internet não só está a criar novas formas de jornalismo, mas também de jornalistas”.
O ciberespaço, pelas suas características, potencia a emergência dos self media – espaços alternativos de comunicação não profissionalizada na rede. A tecnologia permite que os homens se tornem “media” individuais – “self media”, tornando as suas mensagens acessíveis a um vasto público. Esta democratização do universo da comunicação nasce com o modelo de individualização e de personalização que emerge desta nova esfera “tecnossocial” que é o ciberespaço.
«O universo das novas tecnologias contém um conjunto de serviços (ferramentas) que permitem ao leitor assumir um papel mais activo (ou até pró-activo) na interacção Humano-Computador». (Barbosa, 2003)
Rosental Alves referiu-se ao conceito de “sociedade on demand”. A ideia de que os media estão a perder o controlo para a audiência, de que o jornalista deixa de ser o único gatekeeper. Isto remete-nos para a noção de “cidadão-jornalista” (Dan Gillmor, 2005) . Segundo o escritor, o jornalismo já não é um exclusivo dos jornalistas. E, sobretudo, o acesso à esfera pública já não é dominado por jornalistas, políticos, comentadores ou figuras públicas.
«A dinâmica dos blogues é uma das consequências mais recentes da revolução tecnológica característica desta Era da Informação e da Comunicação, onde a “comunicação personalizada” se opõe à “comunicação de massa» (Carla Baptista,2004).
O fenómeno dos weblogs assume-se como o expoente máximo dos “self media”, permitindo a publicação de conteúdos por não especialistas. Esta nova forma de comunicar é totalmente acessível a qualquer pessoa, não sendo necessário quaisquer conhecimentos informáticos para além da óptica do utilizador.
Rebecca Blood (2000) considera que os factores que motivam à criação de blogues passam pela simplicidade da interface, o livre acesso a qualquer utilizador, a não restrição ao nível de hardware ou software de leitura e a possibilidade de escrita sem qualquer tipo de censura.
Enquanto consequência da globalização, o fenómeno da blogosfera traduz-se no alargamento do espaço público. A problemática central que surge com os blogues parte de plataformas que permitem a auto-edição para um novo contexto social, um ambiente completamente diferente que altera o processo de comunicação. É o pleno da era de Emerec postulada por Jean Cloutier e da Obra Aberta a que Umberto Eco se referiu nos anos 60. O receptor é agora simultaneamente emissor, assumindo um papel (pró) activo na comunicação e manipulando um novo elemento: a interface.
A auto-edição, ou informação não profissionalizada, tem variadíssimas vertentes e até suportes. Dos simples diários aos blogues de intervenção política, do jornalismo participativo (construído por não profissionais) aos webzines de carácter jornalístico e não profissionalizadas. Dos blogues aos fanzines, passando pelas próprias páginas pessoais, a web tornou-se o espaço ideal para a difusão de mensagens. A rede é a nova esfera pública.
«A troca livre de ideias possibilitada a todos, para além de remeter para a esfera pública, lembra ainda o conceito de democracia. Estes aliás parecem ter nascido em conjunto». «Os self media permitem uma nova forma de sociabilização, algo que vem para renovar a democracia cuja principal característica é precisamente a liberdade de expressão». (Rodrigues)
Lévy (2001), entende que o mundo que se edifica hoje não é perfeito, tranquilizador ou protector. Está incessantemente entre o caos e a desorganização. Mas é nessa borda da ordem e do caos, segundo o autor, que se situam a invenção e a energia espiritual máxima. “Na grande roda da vida, os dois movimentos, nascimento e morte, são complementares”. A comunicação virtual, em que todos estão interessados nas mesmas coisas, como afirma Lévy (2001), num mundo pela primeira vez mundial, pode representar, segundo Paul Virilio (1993), um desequilíbrio frequente entre a informação directa e a informação indirecta, fruto do desenvolvimento de diversos meios de comunicação.
Félix Guattari refere: «As mudanças pelas quais vai passar o Jornalismo, mesmo permanecendo nas mãos das empresas de comunicação, serão certamente influenciadas por este cenário. O horizonte aponta para a reinvenção de técnicas narrativas, posturas e interesses. Nada mais termina para sempre. Tudo pode ser reinventado, actualizado, tendo como base a narração».
Actualmente o acontecimento, “aquilo que irrompe na superfície lisa da história de entre uma multiplicidade aleatória de fatos virtuais”, conforme esclarece Rodrigues (1993), circula sem mediação em alguns momentos. Narrá-lo simplesmente já não é suficiente. Por isso, as técnicas jornalísticas cada vez mais se tornam relevantes. É preciso observar o facto e investigá-lo sob diferentes dimensões que podem levar ao texto, ao áudio, à imagem ou à multimédia. Esta investigação e escolha estão associadas à técnica da narração jornalística. Os critérios de noticiabilidade, conforme descrição de Mauro Wolf (2002), sobre os factos que têm a capacidade ou não de se tornar notícia, mantêm a sua importância num ambiente de grande diversidade de possibilidades narrativas.
O profissional precisa de estar preparado para assumir a reacomodação ou reinvenção que passa também pela valorização da profissão, como a única capaz de combinar as diferentes técnicas de observação e de narração dos acontecimentos. É necessário que neste momento o jornalista se aproprie destas possibilidades e actue directamente na consolidação da linguagem do ciberespaço, que chega ao século XXI a sofrer o impacto da cultura, mas também a exercer influência sobre ela.
Verifica-se que os blogues podem, durante algum tempo, não trazer problemas às empresas quanto a índices de audiência, mas já provocam uma re-acomodação das técnicas narrativas e, neste caso, está incluído o Jornalismo.
Muitos autores arriscam informações catastróficas sobre o futuro do jornalismo e dos próprios meios. Outros entendem que o papel do Jornalismo será fortalecido, com a diversidade de possibilidades de produção de informações, distribuída não só entre profissionais, mas por toda a sociedade. Linguagens associadas à tecnologia e à cultura estão relacionadas ao jornalismo neste momento de ruptura, re-acomodação e reinvenção de processos.
Nelson Traquina (2002) escreve, ainda no início deste século, que alguns autores arriscam, quando o jornalismo mal começa a sofrer o impacto dos cibermédia, tomar posições categóricas sobre o seu futuro. Ele cita o pensamento de John Pavlik, diretor do Centro de Novos Media da Universidade de Columbia, para quem os jornalistas são uma espécie ameaçada ou David Bartlett cuja previsão é de que os jornalistas se vão tornar desnecessários. De acordo com Pavlik (2001), são três as mutações no papel do jornalista: «O jornalista tem que ser mais do que um contador de factos, o papel do jornalista como intérprete dos acontecimentos será expandido e em parte modificado e os jornalistas on-line terão um papel central na ligação entre as comunidades». Só desta forma a classe dos jornalistas poderá sobreviver segundo o teórico.
Também Jim Hall (2001) anuncia: «os papéis que o jornalismo atribuiu a si mesmo em meados do século dezanove, com a força do recentemente adquirido profissionalismo, como gatekeeper, agenda-setter e filtro noticioso, estão todos em risco quando as suas fontes primárias se tornaram acessíveis às audiências» (…) «A partir do momento em que os leitores se tornam os seus próprios contadores de histórias, o papel de gatekeeper passa, em grande parte, do jornalista para eles». Mas acrescenta: «Os jornalistas adicionaram a função de cartógrafo ao seu papel e, na biblioteca universal que é a Internet, também se tornaram autenticadores e desenhadores para aqueles que seguem os mapas que eles desenham».
Ricardo Jorge Pinto e Jorge Pedro Sousa (1998) partilham destas teorias que preconizam o fim do jornalismo. Os teóricos afirmam: «o jornalista perdeu o monopólio do jogo informativo. A sua função de filtro de informação ficou agora condicionada pela entrada em cena de mecanismos de divulgação comunicativa ao acesso de todos».
Surgem os opositores a este pensamento, como é o caso de Howard Rheingold, também citado por Traquina, que defende uma valorização do papel dos jornalistas nas sociedades contemporâneas com a chegada dos cibermedia.
Há vários teóricos que são a favor desta nova forma de produção jornalística, como é o caso de Dan Gillmor, J.D. Lassica, Hélder Bastos, Shayne Bowman e Chris Willis, Katherine Fulton, Jay Rosen, entre outros .
Dan Gillmor é o autor do livro «We the Media: Grassroots Journalism by the People, for the People», que tem como preocupação central transmitir a ideia de que o jornalismo deixou de ter mão única, para ser um processo em que estão a desaparecer as barreiras entre produtores e consumidores de informação – e no qual o jornalista perdeu a exclusividade do manejo e da transmissão de notícias. Para Dan Gillmor, estamos no limiar daquilo que ele chama de “media participativos”, ou seja, aqueles em que toda a sociedade participa do processo informativo. A ideia central é a de que a elaboração da notícia está-se a tornar um processo contínuo, colaborativo e interactivo. Este processo tem como características principais a transparência e a participação, não se limitando apenas ao terreno do jornalismo pois, segundo o autor, atinge também áreas como relações públicas e marketing. Dan Gillmor limitou-se a fazer um painel das ideias em curso na Internet sobre as mudanças tecnológicas que estão a afectar o jornalismo e a grande imprensa.
O autor descreve um novo veículo onde novos produtores e consumidores de informação partilham o espaço dos “media” tradicionais e com eles trocam informação.
Defende também a tese que "nada será como dantes" e que todos teremos a ganhar com o número crescente de actores. Corporações, cidadãos, sociedade, todos irão ganhar com o aumento da criatividade, transparência e equilíbrio de interesses corporativos que caracterizam as sociedades mais avançadas onde todos defendem os seus interesses e não apenas um reduzido número de cidadãos.
A obra aborda também questões legais e de credibilidade dos seus editores.
O jornalismo cívico em ascensão segue o princípio fundamental de que os leitores sabem mais que os jornalistas e intervêm imediatamente quando percebem algo de errado. E isso, diz Gillmor, ao contrário de ser uma ameaça, é uma oportunidade para os jornalistas. Estes deveriam aprender a pedir ao público comentários, histórias pessoais, fotos, vídeos; afinal, os leitores irão publicar isso na rede de qualquer forma.
O jornalista profissional continuará a existir e a fazer todo o sentido neste novo mundo do jornalismo cívico. A sua capacidade de dar forma a grandes debates de ideias, e de as analisar, será tão importante como a capacidade para recolher os factos e os relatar. A diferença é que o público tem muito a contribuir e agora tem como fazê-lo. E isso, para Gillmor, pode significar um jornalismo melhor.
«Os cidadãos estão a ocupar cada vez mais o espaço dos jornalistas dos meios de comunicação de massa, usando a Internet e o telemóvel para “noticiar” informações e fotografias exclusivas e formar opinião». (Dan Gillmor).
Em 2003, num artigo de Revisão de Jornalismo On-line, J.D. Lasica classifica “Jornalismo do cidadão” mediante os seguintes seis tópicos: 1) participação da audiência em media noticiosos mainstream (como comentários do utilizador a notícias, blogs pessoais, fotografias ou vídeos capturados de máquinas fotográficas telemóveis, ou notícias locais escritas por residentes de uma comunidade); 2) notícias independentes e sites da web de informação (Drudge Report); 3) locais de notícias de participação desenvolvidos (Ex: OhMyNews); 4) locais de meios de comunicação que colaboram e contribuem (Ex: Slashdot, Kuro5hin); 5) outros tipos de média mais pequenos (listas de clientes, boletins informativos de e-mail); 6) locais de radiodifusão pessoais; sites pessoais de broadcasting, áudio e vídeo (Ex: KenRadio). Lassica (1997) é defensor da ideia de que a profissão do jornalista pode ser repensada, quando observa «a Internet tem o potencial de reformular os fundamentos do jornalismo, do mesmo modo que a televisão alterou as regras da profissão».
Hélder Bastos (2000) também é defensor desta teoria. «O jornalismo terá todas as condições para ser reinventado, em vez de, como proclamam alguns, ser gradualmente eliminado» (Bastos, 2000). Segundo o autor, «muitos autores projectam as actuais tendências num futuro não muito longínquo para concluírem da falência, a prazo, dos actuais modelos jornalísticos ou, pelo contrário, salientarem a cada vez maior pertinência da função jornalística num mundo a caminhar a passos largos para a saturação informacional». Para o teórico, as características base dos jornalistas serão o trunfo que eles terão nas mãos nesta nova Era da Cibercomunicação: «certas aptidões próprias desenvolvidas pelo jornalista tornar-se-ão cruciais. As capacidades de selecção, síntese, hierarquização, enquadramento e mesmo de personalização da notícia poderão ser insubstituíveis no ciberespaço, onde fenómenos como o da sobre-informação se vêem exponencialmente agravados».
Katherine Fulton (2000), acredita que o jornalismo e os jornalistas não vão desaparecer. «Como fornecedores de significado e contexto entre todo o ruído, eles podem tornar-me mais essenciais do que nunca. Eles terão novas funções, tais como facilitar boas conversações on-line, organizar arquivos e agregar e reformular informação recolhida através de muitas fontes», afirma a autora.
Jay Rosen, professor de jornalismo Universidade de Nova York, é defensor de longa dada do jornalismo colaborativo e criou o NewAssignment.net, portal participativo que pretende remunerar colaboradores (jornalistas e cidadãos), por textos sobre determinados assuntos. Rosen edita também o blogue PressThink. Segundo ele, a definição de jornalismo participativo é simples: “Quando as pessoas anteriormente conhecidas como público usam as ferramentas de imprensa que possuem para se informarem umas às outras, isso é jornalismo do cidadão.” Ele caracteriza também o grassroots journalism da seguinte forma: “Os cidadãos-jornalistas são as pessoas antigamente conhecidas como a audiência”.
Lizy Zamora (2001) reforça o importante papel que os jornalistas continuam a ter: «O trabalho do jornalista será muito importante nesta nova era. Será o responsável por hierarquizar, organizar e apresentar a informação que interesse a cada pessoa segundo as suas necessidades». Ainda sobre o papel de gatekeeper do jornalista, considera: «Este trabalho de filtragem caberá ao jornalista. O ser humano não dispõe de tempo, nem tem a formação suficiente, para interpretar a informação». (…) O utilizador terá a necessidade de contar com alguém que seleccione, informe, interprete e julgue os feitos que acontecem no mundo».
Para Shayne Bowman e Chris Willis, nós estamos no começo de uma idade dourada do jornalismo, mas não é jornalismo como nós o concebemos, mas sim como os futuristas previram para 2021, “os cidadãos produzirão 50 por cento das notícias.”

Assiste-se, quanto a este tema, a uma oposição de pensamentos e de teorias. É, sem dúvida, um tema controverso e que actualmente está na discussão pública pelas suas características e efeitos. O jornalismo do cidadão alterou as rotinas redactoriais dos meios de comunicação social, alterou a forma como os jornalistas pesquisam, seleccionam e escrevem as notícias e alterou o papel dos jornalistas na sociedade. Cada vez se fala mais numa adaptação gradual destes profissionais às novas tendências impostas pelo jornalismo participativo. Há, também, quem aposte no fim do jornalismo como profissão.
Ao longo da pesquisa efectuada neste trabalho, algumas questões ressaltaram. Mas é impossível dar uma resposta definitiva pois há teóricos que têm opiniões totalmente diferentes e as previsões para o futuro são uma incógnita. Relativamente à questão “será o jornalismo do cidadão fundamental ou não?” pode-se afirmar, pelo menos, que ele é inevitável e a sua presença e força inegáveis e, desta forma, pode prever-se que se poderá sempre tornar útil, basta que os profissionais do mundo da comunicação se adaptem e tirem dele (das suas potencialidades) o maior partido.
Quanto à problemática que se levanta em relação a se este tomará controlo sobre o Jornalismo, pode afirmar-se que isso será praticamente impossível, apesar de alguns erros cometidos por algum jornalismo contemporâneo. Grande parte dos teóricos que dominam este tema acreditam o jornalismo do cidadão jamais inspirará confiança do leitor, pois o carisma de rigor e isenção ainda não estão vincados e determinados. O leitor não confiará num jornalista cidadão como confia num jornalista profissional, como formação específica e experiência em escrever de forma rigorosa.
Assim, apesar das alterações que estão a viver na profissão, a previsão mais fiável é a de que os jornalistas, ao adaptar-se totalmente a estas novas rotinas organizacionais e redactoriais, consigam encontrar novamente estabilidade e garantir o seu estatuto como profissionais da informação e comunicação.






Bibliografia:

GILLMOR, Dan (2005), Nós, os media. Lisboa: Editorial Presença;
BASTOS, Hélder. (2000). Jornalismo Electrónico - Internet e Reconfiguração de Práticas nas Redacções. Coimbra: Minerva Editora;
CASTELLS, Manuel (2004), A galáxia internet: reflexões sobre internet, negócios e sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian;
LASICA, J.D. (2003) – What is Participatory Journalism?. AUSC
Annenberg. (http://www.ojr.org/ojr/workplace/1060217106.php);

ROSEN, Jay (2005) - Bloggers vs. Journalists is Over. Press
Think.(http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2005/01/21/berk_essy.html);

PAVLIK, John V. (2001) – Journalism and new media. New York: Columbia University Press;















Sitografia:
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Jornalismo do cidadão - quem és tu? / Frederico Correia. - Covilhã: [bocc-Labcom-UBI], 2008. (http://www.bocc.ubi.pt/pag/correia-frederico-jornalismo-do-cidadao.pdf [Consulta: 12-02-08])
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_cidad%C3%A3o
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wikimania2006.wikimedia.org
www.ciberjornalismo.com
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www.bayosphere.com
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observatorio.ultimosegundo.ig.com.br
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icicom.up.pt
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