A Brigantina

Sunday, February 15, 2009

Jornalismo do cidadão

Jornalismo do cidadão

A sua génese, os seus efeitos e algumas reacções

«O mundo, tal como o conhecíamos, mudou substancialmente com o aparecimento da Internet. Sociedade da Informação, Era digital, do Ciberespaço ou da Internet são apenas diferentes designações para uma nova realidade com implicações inevitáveis ao nível social, cultural, económico e político» (Elisabete Barbosa, 2003).
O ciberespaço, ao constituir-se como um novo espaço de sociabilidade, gera também novas relações sociais, com estruturas e códigos próprios. Estes códigos são uma reformulação das conhecidas formas de sociabilidade, agora adaptadas às novas condições de espaço e de tempo. Neste sentido, verifica-se que os “self-media”, em particular os weblogs ou blogues, se assumem como novos actores sociais. A relevância que a sociedade lhes atribui está directamente relacionada com a representação que esta tem nos media.
Nos anos 90, começa a III Revolução Industrial – surgem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Nasce o “netcitizen”, o cidadão do mundo digital, à deriva na teia da Internet, com acesso ilimitado à informação e à auto-edição. A introdução das novas tecnologias nas esferas pública e privada da sociedade, mais do que uma reformulação, originou um novo campo sócio-cultural e, consequentemente, comunicacional. É a era da Cibercultura e do paradigma da individualização da comunicação. Não pela oposição à comunicação de massas, mas pela aceleração da experiência através da electrónica num novo universo de sociabilização: o ciberespaço.
Nos EUA, após as eleições presidenciais de 1998, começa a surgir o jornalismo do cidadão, como contraponto à crescente desconfiança dos cidadãos em relação aos media noticiosos e à actividade política.
«A Internet é hoje o tecido das nossas vidas. Não é o futuro. É o presente. A Internet é um meio totalmente abrangente, que interage com o conjunto da sociedade» (Manuel Castells, 2000). A Internet é um dos principais efeitos da transformação em curso na sociedade. Este novo dispositivo de comunicação permite grandes colectividades “desterritorializadas”, constituindo «um avanço decisivo em direcção a novas formas (mais evoluídas) de inteligência colectiva», afirma Pierre Lévy (2001). O ciberespaço permite um dispositivo de “comunicação todos-todos”, por oposição aos media tradicionais/clássicos – “relação um-todos” (Lévy).
O ciberespaço, onde o indivíduo é potencial receptor e emissor, permite a exploração de um espaço de comunicação que remete para uma rede de significações, que «está entregue à partilha e à reinterpretação dos participantes em dispositivos de “comunicação todos-todos» (Idem, ibidem). Ainda que virtual, o ciberespaço existe e produz efeitos. Pode ser definido como o espaço potenciado pelas comunicações mediadas por computador (email, fóruns, chat, weblogs, newsgroups) e assume-se como um modelo de comunicação individual, permitindo ao receptor ser simultaneamente emissor. Espaço de fluxos, assume-se como a dimensão social da rede permitindo a difusão de comunicação/informação à escala global, o que provoca um intenso processo de inclusão e exclusão de pessoas na rede. O ciberespaço, enquanto plataforma social da economia digital, assume-se como a materialização da globalização.
Para Anthony Giddens (1999), a globalização corresponde à intensificação das relações sociais globais que ligam comunidades locais. O autor defende que o fenómeno da globalização está directamente relacionado com a “glocalização”, ou seja, o processo de globalizar o local. A “glocalização” remete para a importância do local no contexto global, que se destaca por oposição à ideia de massificação. A “glocalização” existe a par da globalização, e integra todo o processo de transformações económicas e as suas consequências políticas, sociais e culturais à escala mundial.
A Internet, enquanto nova esfera da opinião pública, permite a democratização da difusão de comunicação. Trata-se da liberdade de acesso à difusão. Logo, os webzines, as páginas pessoais, os fóruns, os chats, as listas de discussão, os weblogs (as comunicações mediadas por computador) dão existência a um novo fenómeno – a auto-edição. Os cidadãos foram promovidos de receptores passivos a emissores.
Maria Teresa Sandoval Martín (2000) defende que a Internet não está só a mudar os modos de acesso à informação pelos utilizadores, o modelo de comunicação tradicional, a economia mundial e as empresas de comunicação, mas também o perfil do jornalista. Carl Stepp (1996), afirma também que “a Internet não só está a criar novas formas de jornalismo, mas também de jornalistas”.
O ciberespaço, pelas suas características, potencia a emergência dos self media – espaços alternativos de comunicação não profissionalizada na rede. A tecnologia permite que os homens se tornem “media” individuais – “self media”, tornando as suas mensagens acessíveis a um vasto público. Esta democratização do universo da comunicação nasce com o modelo de individualização e de personalização que emerge desta nova esfera “tecnossocial” que é o ciberespaço.
«O universo das novas tecnologias contém um conjunto de serviços (ferramentas) que permitem ao leitor assumir um papel mais activo (ou até pró-activo) na interacção Humano-Computador». (Barbosa, 2003)
Rosental Alves referiu-se ao conceito de “sociedade on demand”. A ideia de que os media estão a perder o controlo para a audiência, de que o jornalista deixa de ser o único gatekeeper. Isto remete-nos para a noção de “cidadão-jornalista” (Dan Gillmor, 2005) . Segundo o escritor, o jornalismo já não é um exclusivo dos jornalistas. E, sobretudo, o acesso à esfera pública já não é dominado por jornalistas, políticos, comentadores ou figuras públicas.
«A dinâmica dos blogues é uma das consequências mais recentes da revolução tecnológica característica desta Era da Informação e da Comunicação, onde a “comunicação personalizada” se opõe à “comunicação de massa» (Carla Baptista,2004).
O fenómeno dos weblogs assume-se como o expoente máximo dos “self media”, permitindo a publicação de conteúdos por não especialistas. Esta nova forma de comunicar é totalmente acessível a qualquer pessoa, não sendo necessário quaisquer conhecimentos informáticos para além da óptica do utilizador.
Rebecca Blood (2000) considera que os factores que motivam à criação de blogues passam pela simplicidade da interface, o livre acesso a qualquer utilizador, a não restrição ao nível de hardware ou software de leitura e a possibilidade de escrita sem qualquer tipo de censura.
Enquanto consequência da globalização, o fenómeno da blogosfera traduz-se no alargamento do espaço público. A problemática central que surge com os blogues parte de plataformas que permitem a auto-edição para um novo contexto social, um ambiente completamente diferente que altera o processo de comunicação. É o pleno da era de Emerec postulada por Jean Cloutier e da Obra Aberta a que Umberto Eco se referiu nos anos 60. O receptor é agora simultaneamente emissor, assumindo um papel (pró) activo na comunicação e manipulando um novo elemento: a interface.
A auto-edição, ou informação não profissionalizada, tem variadíssimas vertentes e até suportes. Dos simples diários aos blogues de intervenção política, do jornalismo participativo (construído por não profissionais) aos webzines de carácter jornalístico e não profissionalizadas. Dos blogues aos fanzines, passando pelas próprias páginas pessoais, a web tornou-se o espaço ideal para a difusão de mensagens. A rede é a nova esfera pública.
«A troca livre de ideias possibilitada a todos, para além de remeter para a esfera pública, lembra ainda o conceito de democracia. Estes aliás parecem ter nascido em conjunto». «Os self media permitem uma nova forma de sociabilização, algo que vem para renovar a democracia cuja principal característica é precisamente a liberdade de expressão». (Rodrigues)
Lévy (2001), entende que o mundo que se edifica hoje não é perfeito, tranquilizador ou protector. Está incessantemente entre o caos e a desorganização. Mas é nessa borda da ordem e do caos, segundo o autor, que se situam a invenção e a energia espiritual máxima. “Na grande roda da vida, os dois movimentos, nascimento e morte, são complementares”. A comunicação virtual, em que todos estão interessados nas mesmas coisas, como afirma Lévy (2001), num mundo pela primeira vez mundial, pode representar, segundo Paul Virilio (1993), um desequilíbrio frequente entre a informação directa e a informação indirecta, fruto do desenvolvimento de diversos meios de comunicação.
Félix Guattari refere: «As mudanças pelas quais vai passar o Jornalismo, mesmo permanecendo nas mãos das empresas de comunicação, serão certamente influenciadas por este cenário. O horizonte aponta para a reinvenção de técnicas narrativas, posturas e interesses. Nada mais termina para sempre. Tudo pode ser reinventado, actualizado, tendo como base a narração».
Actualmente o acontecimento, “aquilo que irrompe na superfície lisa da história de entre uma multiplicidade aleatória de fatos virtuais”, conforme esclarece Rodrigues (1993), circula sem mediação em alguns momentos. Narrá-lo simplesmente já não é suficiente. Por isso, as técnicas jornalísticas cada vez mais se tornam relevantes. É preciso observar o facto e investigá-lo sob diferentes dimensões que podem levar ao texto, ao áudio, à imagem ou à multimédia. Esta investigação e escolha estão associadas à técnica da narração jornalística. Os critérios de noticiabilidade, conforme descrição de Mauro Wolf (2002), sobre os factos que têm a capacidade ou não de se tornar notícia, mantêm a sua importância num ambiente de grande diversidade de possibilidades narrativas.
O profissional precisa de estar preparado para assumir a reacomodação ou reinvenção que passa também pela valorização da profissão, como a única capaz de combinar as diferentes técnicas de observação e de narração dos acontecimentos. É necessário que neste momento o jornalista se aproprie destas possibilidades e actue directamente na consolidação da linguagem do ciberespaço, que chega ao século XXI a sofrer o impacto da cultura, mas também a exercer influência sobre ela.
Verifica-se que os blogues podem, durante algum tempo, não trazer problemas às empresas quanto a índices de audiência, mas já provocam uma re-acomodação das técnicas narrativas e, neste caso, está incluído o Jornalismo.
Muitos autores arriscam informações catastróficas sobre o futuro do jornalismo e dos próprios meios. Outros entendem que o papel do Jornalismo será fortalecido, com a diversidade de possibilidades de produção de informações, distribuída não só entre profissionais, mas por toda a sociedade. Linguagens associadas à tecnologia e à cultura estão relacionadas ao jornalismo neste momento de ruptura, re-acomodação e reinvenção de processos.
Nelson Traquina (2002) escreve, ainda no início deste século, que alguns autores arriscam, quando o jornalismo mal começa a sofrer o impacto dos cibermédia, tomar posições categóricas sobre o seu futuro. Ele cita o pensamento de John Pavlik, diretor do Centro de Novos Media da Universidade de Columbia, para quem os jornalistas são uma espécie ameaçada ou David Bartlett cuja previsão é de que os jornalistas se vão tornar desnecessários. De acordo com Pavlik (2001), são três as mutações no papel do jornalista: «O jornalista tem que ser mais do que um contador de factos, o papel do jornalista como intérprete dos acontecimentos será expandido e em parte modificado e os jornalistas on-line terão um papel central na ligação entre as comunidades». Só desta forma a classe dos jornalistas poderá sobreviver segundo o teórico.
Também Jim Hall (2001) anuncia: «os papéis que o jornalismo atribuiu a si mesmo em meados do século dezanove, com a força do recentemente adquirido profissionalismo, como gatekeeper, agenda-setter e filtro noticioso, estão todos em risco quando as suas fontes primárias se tornaram acessíveis às audiências» (…) «A partir do momento em que os leitores se tornam os seus próprios contadores de histórias, o papel de gatekeeper passa, em grande parte, do jornalista para eles». Mas acrescenta: «Os jornalistas adicionaram a função de cartógrafo ao seu papel e, na biblioteca universal que é a Internet, também se tornaram autenticadores e desenhadores para aqueles que seguem os mapas que eles desenham».
Ricardo Jorge Pinto e Jorge Pedro Sousa (1998) partilham destas teorias que preconizam o fim do jornalismo. Os teóricos afirmam: «o jornalista perdeu o monopólio do jogo informativo. A sua função de filtro de informação ficou agora condicionada pela entrada em cena de mecanismos de divulgação comunicativa ao acesso de todos».
Surgem os opositores a este pensamento, como é o caso de Howard Rheingold, também citado por Traquina, que defende uma valorização do papel dos jornalistas nas sociedades contemporâneas com a chegada dos cibermedia.
Há vários teóricos que são a favor desta nova forma de produção jornalística, como é o caso de Dan Gillmor, J.D. Lassica, Hélder Bastos, Shayne Bowman e Chris Willis, Katherine Fulton, Jay Rosen, entre outros .
Dan Gillmor é o autor do livro «We the Media: Grassroots Journalism by the People, for the People», que tem como preocupação central transmitir a ideia de que o jornalismo deixou de ter mão única, para ser um processo em que estão a desaparecer as barreiras entre produtores e consumidores de informação – e no qual o jornalista perdeu a exclusividade do manejo e da transmissão de notícias. Para Dan Gillmor, estamos no limiar daquilo que ele chama de “media participativos”, ou seja, aqueles em que toda a sociedade participa do processo informativo. A ideia central é a de que a elaboração da notícia está-se a tornar um processo contínuo, colaborativo e interactivo. Este processo tem como características principais a transparência e a participação, não se limitando apenas ao terreno do jornalismo pois, segundo o autor, atinge também áreas como relações públicas e marketing. Dan Gillmor limitou-se a fazer um painel das ideias em curso na Internet sobre as mudanças tecnológicas que estão a afectar o jornalismo e a grande imprensa.
O autor descreve um novo veículo onde novos produtores e consumidores de informação partilham o espaço dos “media” tradicionais e com eles trocam informação.
Defende também a tese que "nada será como dantes" e que todos teremos a ganhar com o número crescente de actores. Corporações, cidadãos, sociedade, todos irão ganhar com o aumento da criatividade, transparência e equilíbrio de interesses corporativos que caracterizam as sociedades mais avançadas onde todos defendem os seus interesses e não apenas um reduzido número de cidadãos.
A obra aborda também questões legais e de credibilidade dos seus editores.
O jornalismo cívico em ascensão segue o princípio fundamental de que os leitores sabem mais que os jornalistas e intervêm imediatamente quando percebem algo de errado. E isso, diz Gillmor, ao contrário de ser uma ameaça, é uma oportunidade para os jornalistas. Estes deveriam aprender a pedir ao público comentários, histórias pessoais, fotos, vídeos; afinal, os leitores irão publicar isso na rede de qualquer forma.
O jornalista profissional continuará a existir e a fazer todo o sentido neste novo mundo do jornalismo cívico. A sua capacidade de dar forma a grandes debates de ideias, e de as analisar, será tão importante como a capacidade para recolher os factos e os relatar. A diferença é que o público tem muito a contribuir e agora tem como fazê-lo. E isso, para Gillmor, pode significar um jornalismo melhor.
«Os cidadãos estão a ocupar cada vez mais o espaço dos jornalistas dos meios de comunicação de massa, usando a Internet e o telemóvel para “noticiar” informações e fotografias exclusivas e formar opinião». (Dan Gillmor).
Em 2003, num artigo de Revisão de Jornalismo On-line, J.D. Lasica classifica “Jornalismo do cidadão” mediante os seguintes seis tópicos: 1) participação da audiência em media noticiosos mainstream (como comentários do utilizador a notícias, blogs pessoais, fotografias ou vídeos capturados de máquinas fotográficas telemóveis, ou notícias locais escritas por residentes de uma comunidade); 2) notícias independentes e sites da web de informação (Drudge Report); 3) locais de notícias de participação desenvolvidos (Ex: OhMyNews); 4) locais de meios de comunicação que colaboram e contribuem (Ex: Slashdot, Kuro5hin); 5) outros tipos de média mais pequenos (listas de clientes, boletins informativos de e-mail); 6) locais de radiodifusão pessoais; sites pessoais de broadcasting, áudio e vídeo (Ex: KenRadio). Lassica (1997) é defensor da ideia de que a profissão do jornalista pode ser repensada, quando observa «a Internet tem o potencial de reformular os fundamentos do jornalismo, do mesmo modo que a televisão alterou as regras da profissão».
Hélder Bastos (2000) também é defensor desta teoria. «O jornalismo terá todas as condições para ser reinventado, em vez de, como proclamam alguns, ser gradualmente eliminado» (Bastos, 2000). Segundo o autor, «muitos autores projectam as actuais tendências num futuro não muito longínquo para concluírem da falência, a prazo, dos actuais modelos jornalísticos ou, pelo contrário, salientarem a cada vez maior pertinência da função jornalística num mundo a caminhar a passos largos para a saturação informacional». Para o teórico, as características base dos jornalistas serão o trunfo que eles terão nas mãos nesta nova Era da Cibercomunicação: «certas aptidões próprias desenvolvidas pelo jornalista tornar-se-ão cruciais. As capacidades de selecção, síntese, hierarquização, enquadramento e mesmo de personalização da notícia poderão ser insubstituíveis no ciberespaço, onde fenómenos como o da sobre-informação se vêem exponencialmente agravados».
Katherine Fulton (2000), acredita que o jornalismo e os jornalistas não vão desaparecer. «Como fornecedores de significado e contexto entre todo o ruído, eles podem tornar-me mais essenciais do que nunca. Eles terão novas funções, tais como facilitar boas conversações on-line, organizar arquivos e agregar e reformular informação recolhida através de muitas fontes», afirma a autora.
Jay Rosen, professor de jornalismo Universidade de Nova York, é defensor de longa dada do jornalismo colaborativo e criou o NewAssignment.net, portal participativo que pretende remunerar colaboradores (jornalistas e cidadãos), por textos sobre determinados assuntos. Rosen edita também o blogue PressThink. Segundo ele, a definição de jornalismo participativo é simples: “Quando as pessoas anteriormente conhecidas como público usam as ferramentas de imprensa que possuem para se informarem umas às outras, isso é jornalismo do cidadão.” Ele caracteriza também o grassroots journalism da seguinte forma: “Os cidadãos-jornalistas são as pessoas antigamente conhecidas como a audiência”.
Lizy Zamora (2001) reforça o importante papel que os jornalistas continuam a ter: «O trabalho do jornalista será muito importante nesta nova era. Será o responsável por hierarquizar, organizar e apresentar a informação que interesse a cada pessoa segundo as suas necessidades». Ainda sobre o papel de gatekeeper do jornalista, considera: «Este trabalho de filtragem caberá ao jornalista. O ser humano não dispõe de tempo, nem tem a formação suficiente, para interpretar a informação». (…) O utilizador terá a necessidade de contar com alguém que seleccione, informe, interprete e julgue os feitos que acontecem no mundo».
Para Shayne Bowman e Chris Willis, nós estamos no começo de uma idade dourada do jornalismo, mas não é jornalismo como nós o concebemos, mas sim como os futuristas previram para 2021, “os cidadãos produzirão 50 por cento das notícias.”

Assiste-se, quanto a este tema, a uma oposição de pensamentos e de teorias. É, sem dúvida, um tema controverso e que actualmente está na discussão pública pelas suas características e efeitos. O jornalismo do cidadão alterou as rotinas redactoriais dos meios de comunicação social, alterou a forma como os jornalistas pesquisam, seleccionam e escrevem as notícias e alterou o papel dos jornalistas na sociedade. Cada vez se fala mais numa adaptação gradual destes profissionais às novas tendências impostas pelo jornalismo participativo. Há, também, quem aposte no fim do jornalismo como profissão.
Ao longo da pesquisa efectuada neste trabalho, algumas questões ressaltaram. Mas é impossível dar uma resposta definitiva pois há teóricos que têm opiniões totalmente diferentes e as previsões para o futuro são uma incógnita. Relativamente à questão “será o jornalismo do cidadão fundamental ou não?” pode-se afirmar, pelo menos, que ele é inevitável e a sua presença e força inegáveis e, desta forma, pode prever-se que se poderá sempre tornar útil, basta que os profissionais do mundo da comunicação se adaptem e tirem dele (das suas potencialidades) o maior partido.
Quanto à problemática que se levanta em relação a se este tomará controlo sobre o Jornalismo, pode afirmar-se que isso será praticamente impossível, apesar de alguns erros cometidos por algum jornalismo contemporâneo. Grande parte dos teóricos que dominam este tema acreditam o jornalismo do cidadão jamais inspirará confiança do leitor, pois o carisma de rigor e isenção ainda não estão vincados e determinados. O leitor não confiará num jornalista cidadão como confia num jornalista profissional, como formação específica e experiência em escrever de forma rigorosa.
Assim, apesar das alterações que estão a viver na profissão, a previsão mais fiável é a de que os jornalistas, ao adaptar-se totalmente a estas novas rotinas organizacionais e redactoriais, consigam encontrar novamente estabilidade e garantir o seu estatuto como profissionais da informação e comunicação.






Bibliografia:

GILLMOR, Dan (2005), Nós, os media. Lisboa: Editorial Presença;
BASTOS, Hélder. (2000). Jornalismo Electrónico - Internet e Reconfiguração de Práticas nas Redacções. Coimbra: Minerva Editora;
CASTELLS, Manuel (2004), A galáxia internet: reflexões sobre internet, negócios e sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian;
LASICA, J.D. (2003) – What is Participatory Journalism?. AUSC
Annenberg. (http://www.ojr.org/ojr/workplace/1060217106.php);

ROSEN, Jay (2005) - Bloggers vs. Journalists is Over. Press
Think.(http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2005/01/21/berk_essy.html);

PAVLIK, John V. (2001) – Journalism and new media. New York: Columbia University Press;















Sitografia:
Interactividade: A grande promessa do Jornalismo Online / Elisabete Barbosa. - Covilhã: [bocc-Labcom-UBI], 2001. (http://www.bocc.ubi.pt/pag/_texto.php?html2=barbosa-elisabete-interactividade.html )
Jornalismo do cidadão - quem és tu? / Frederico Correia. - Covilhã: [bocc-Labcom-UBI], 2008. (http://www.bocc.ubi.pt/pag/correia-frederico-jornalismo-do-cidadao.pdf [Consulta: 12-02-08])
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_cidad%C3%A3o
Poynter.org
wikimania2006.wikimedia.org
www.ciberjornalismo.com
dangillmor.com
www.bayosphere.com
www.itconversations.com
observatorio.ultimosegundo.ig.com.br
intermezzo-weblog.blogspot.com
icicom.up.pt
dn.sapo.pt
atrium.wordpress.com
http://www.jdlasica.com
www.hypergene.net/wemedia/
www.pbs.org
http://gjol.blogspot.com/2006/08/blog-publica-entrevista-com-dan.html
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1740
http://pjnet.org/weblogs/pjnettoday/archives/001351.html
dangillmor.typepad.com
http://www.ojr.org/ojr/stories/051006/

Wednesday, November 28, 2007

UP: Cerca de 30 alunos em manifestação


Aumentos das propinas, adaptação ao Processo de Bolonha e novo regime jurídico do ensino superior motivaram protesto pouco participado.

Não seriam mais de 30 os alunos da Universidade do Porto (UP) que se manifestaram hoje, quarta-feira, na praça Gomes Teixeira, frente à Reitoria. As principais reivindicações prenderam-se com o progressivo aumento do valor das propinas, o sistema de empréstimos a estudantes, que dizem ser um "negócio", e com a adaptação da UP ao Processo de Bolonha.

Os estudantes seguraram uma faixa com o slogan “A educação não é um negócio” e gritaram frases contra as propinas, Bolonhagritaram frases contra as propinas, Bolonha e a privatização de muitos dos serviços na universidade (bares, serviços de fotocópias, entre outros)privatização de muitos dos serviços na universidade (bares, serviços de fotocópias, entre outros).

António Valpaços, aluno da Faculdade de Letras da UP e porta-voz dos alunos, disse que “o 1º ciclo não dá para integrar o mercado de trabalho. Os mestrados têm valores de propinas altíssimos, que os estudantes não podem pagar". "É uma política de completa irresponsabilidade e temos que mostrar a nossa insatisfação. Queremos uma escola pública com qualidade para todos, como manda a Constituição Portuguesa”.

Críticas à FAP
O porta-voz referiu ainda que a manifestação também pretendeu mostrar descontentamentomostrar descontentamentoDescarregar ficheiro face ao novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). E acusou a Federação Académica do Porto (FAP) de nada fazer contra os "ataques" ao ensino superior.

"É uma vergonha o valor que pagamos de propinas. Protesto contra a falta de acção social do Estado, que tem obrigação de levar a cabo uma acção social que permita a todos ingressar no ensino superior público. Cada vez mais em Portugal o ensino superior é para os que podem, e não para os que querem", declarou Pedro Gonçalves, da Faculdade de Direito.

Os manifestantes acreditam que o ensino superior pode ser gratuito. Basta que, segundo o porta-voz dos estudantes, “haja uma política que esteja ao interesse da população e ao interesse do país, o que não se tem verificado". "Nós, alunos, falamos de um subfinanciamento do Estado em relação ao ensino superior porque, de facto, ele é financiado pelos estudantes”.

“Não se pode dizer que foi uma grande manifestação, mas pelo menos serviu para dar a conhecer o nosso descontentamento ao Governo”, referiu a aluna Margarida Silva.

Monday, November 19, 2007

Feira da Senhora da Hora

“Para a semana há mais”

São nove horas e já está uma confusão enorme no recinto da feira da Senhora da Hora. Ouvem-se palavras apelativas vindas de todos os lados, é incrível. Ao fundo destaca-se a Dona Manuela que vende dois pares de meias por um euro. “É a meiinha boa! É duas a um euro, venham ver”, diz ela para chamar a clientela.

Logo à entrada é-se invadido e evadido por sons, cheiros, vozes, que despertam curiosidade. Os sentidos têm que funcionar na perfeição para que se possa perceber tudo o que nos rodeia, tal é a quantidade de apelos que fluem naturalmente.

A feira que já se faz há mais de 50 anos é ainda hoje um lugar muito movimentado, que serve para as pessoas passearem, conviverem, comprarem por baixo preço alguns artigos como roupa ou calçado, ou apenas para comprarem as famosas hortaliças “frescas e de confiança”, como diz Ana Correia de Araújo, proprietária de uma banca de produtos hortícolas. “Esta feira é muito boa, vende-se muito bem, as minhas clientes já me conhecem e vêm sempre comprar a minha hortaliça. Para além disso ao nível da organização também acho que está muito bem e por isso só tenho a dizer bem da feira”, refere a “dona Aninhas”, como lhe chamam as vizinhas de banca.

Fátima Silva e a sua mãe já se atrapalhavam com a quantidade de sacos que levavam em cada mão. Vieram passear à feira, como já é habitual fazerem ao sábado de manhã. ”A diversidade de roupas a baixo preço e o ambiente saudável e animado que se vive aqui são o que me traz cá quase todas as semanas”, diz Fátima.

Num dos vários corredores sente-se um intenso cheiro a café. É o único local onde se vende café na feira. Augusto Afonso garante que o seu café é especial. “Para além de ser único e não ter concorrência, é gabado por todos os fregueses. Não há quem diga mal do meu cimbalino. Até tenho clientes que dizem vir só à feira para tomar o café aqui e, claro, aproveitar para passear”, diz o comerciante.

“Cinco eurinhos, é só uma notinha”, grita Julisete Coutinho na sua banca de bijuterias, relógios e cintos. “O negócio está um bocadinho fraco, mas esta feira não é das piores. Pelo contrário, gosto muito de fazer esta feira porque vendo bem e porque aqui as pessoas procuram material com mais qualidade, mesmo que tenham que pagar mais. As pessoas valorizam o artigo e isso é bom para quem vende”, diz a feirante, que vende aqui há seis anos. A sua filha de dez anos toma conta da banca ao lado, a vender perfumes. “Gosto muito de ajudar a minha mãe a fazer feiras, divirto-me e ainda vendo alguma coisa! Hoje o negócio está fraco, ainda não vendi quase nada”, diz Sheila.

Mais à frente sente-se um forte cheiro a peixe, aproxima-se o corredor das peixarias. “É Peixinho fresquinho da melhor qualidade”, “Olha o carapau fresquinho”, “Salmão fresquinho e barato”, são algumas das frases que se ouvem e se misturam com as dos feirantes do corredor em frente. Judite Sousa já vem a esta feira há muitos anos e está satisfeita com o serviço que lhe prestam. “Gosto muito de fazer compras aqui porque o ambiente é outro, não tem nada a ver com ir ao supermercado. É um ambiente mais acolhedor e muitos dos feirantes a quem faço compras já os conheço há muitos anos, confio nos seus produtos. Por exemplo, a hortaliça e o peixe prefiro comprar aqui todas as semanas, já é um hábito”, refere.

Por volta das dez da manhã, a confusão sentiu-se ainda mais. Para manter a ordem e evitar situações desagradáveis está sempre um corpo policial constituído por vários agentes que rondam o recinto. Segundo o chefe Francisco Nunes, “estamos no local essencialmente para preservar a integridade física das pessoas e para prevenir situações problemáticas entre feirantes e a instituição (Câmara Municipal de Matosinhos) e também para a tranquilidade das pessoas que visitam a feira, para que se sintam seguras quando vêm cá. Relativamente a inspecções, esta feira tem sofrido algumas. “Fazem-se inspecções regularmente, uma vez por mês ou mais, adianta o chefe Nunes.

“Carteiras anti-roubo! Elas apitam quando se aproximam os carteiristas!”, Gritava Ivo Borges, na tentativa de chamar clientela. Ao lado estava uma tendinha a promover a Netcabo. Bárbara Silva, da TV Cabo, diz que as pessoas aderem imenso aos produtos promovidos na feira. “As pessoas estão num ambiente relaxado, andam a passear e, por isso, é mais fácil conversar com elas. Não estão com pressa ou com o carro mal estacionado. É uma relação diferente que se tem com os clientes aqui na feira, não tem nada a ver com a relação que se tem na loja”. Um cliente que estava no momento a pedir informação, Casimiro Cardoso, diz que é óptimo que este tipo de empresas se desloque para estes locais. “A comunicação entre empresa e cliente é mais fácil aqui. No dia-a-dia não temos tempo para ir directamente ao balcão da loja pedir informações. Assim conseguimos ficar até mais esclarecidos, pois não estamos com pressa e juntamos o útil ao agradável”, diz com satisfação.

Ao longo do recinto barraquinhas e mais barraquinhas vão preenchendo o cenário. Apenas um pequeno edifício se destaca. Este edifício tem as casas de banho e uma sala para a organização da feira, pertencente à Junta de Freguesia da Senhora da Hora. Joaquim Ferreira, um dos organizadores, está satisfeito com os resultados e garante que nenhum feirante diz mal da feira relativamente à forma como está organizada. “Esta feira é muito especial. Porque serve a população, serve a Junta de Freguesia, dá postos de emprego e traz muito movimento, até para as casas comerciais exteriores à feira. Em geral é bom para toda a gente. Para além disso é feita ao sábado de manhã, dia em que muitas pessoas não trabalham e isso ajuda a que tenha mais gente.”

Desde roupa, a calçado, acessórios de moda, louças, tecidos, tapetes, carne, peixe, produtos hortícolas e frutícolas e até animais, vende-se um pouco de tudo na feira da Senhora da Hora, que comporta cerca de 600 lugares para bancas.
A volta completa está dada por volta das 11.30 horas. Passa-se uma manhã repleta de sensações e emoções nesta feira tão típica e característica do povo que a promove. Segundo a Câmara Municipal de Matosinhos, “peregrinar nas feiras da Senhora da Hora e de Custóias em banhos de multidão, música popular e pregões pronunciados por quem vende, é participar num acto cultural e no dinamismo das nossas gentes”.

À saída da feira, já por volta do meio-dia, as pessoas que saíam levavam os sacos e os carrinhos de compras cheios. O movimento continuava a ser muito, parecendo a saída do recinto quase uma espécie de romaria, por todo o frenesim que ainda se vivia mesmo já quando se aproximava a hora de a feira acabar (13 horas).

“Aproveitem que já está a acabar! A cigana está maluca, é só cinco euros!” ouvia-se à saída. Uma senhora que estava também a sair da feira respondeu com um sorriso enternecedor: “para a semana há mais”.

O diário das II Jornadas Internacionais - Informação e Comunicação nos Mass Media”

Forte adesão dos alunos e docentes da UP marca este evento

“Informação e Comunicação nos Mass Media. A produção noticiosa: actores e papeis”, foi o tema das II Jornadas Internacionais realizadas nos dias 25 e 26 de Outubro e promovidas pelo Centro de Estudos das Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação (CETAC.COM), em colaboração com as licenciaturas de Ciências da Comunicação (CC) e Ciência da Informação (CI) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e ainda com a Universidade de A Coruña.

O principal objectivo do encontro foi “consolidar o diálogo entre docentes, investigadores e profissionais das áreas que compõem o universo da Gestão da Informação e da Comunicação Social”. Este diálogo, segundo a organização, torna-se ainda mais importante na Galáxia da Internet e da Intranet, que transforma toda a actividade humana e social numa grande rede ou espaço de fluxos info-comunicacionais. Durante os dois dias do evento, que decorreu no Anfiteatro Nobre da FLUP, foram vários os temas debatidos e os oradores que preencheram a agenda.

O primeiro dia

No dia 25 María Antonia Pérez Rodriguez, da Universidade de A Coruña, abriu a manhã com o tema “Usuários dos centros de Informação nos mass media”, em que refere, entre outras coisas, a importância da aposta na formação dos documentalistas e a sua importância cada vez maior nas empresas de comunicação. De seguida, o Professor Mariano Herreros, da Universidade Complutense de Madrid, referiu o tema “Información en la web 2.0. Redes sociais e usos pessoais”, em que focou principalmente a concepção da Web 2.0 e ainda a participação do cidadão comum no fabrico de informação, já que através da Internet é muito fácil qualquer pessoa divulgar a sua própria informação.

Após um Coffee Break, o professor doutor Armando Malheiro, da UP e um dos elementos da organização, falou sobre “Informação e comunicação: um projecto científico comum”, em que fez uma abordagem geral sobre as duas profissões: a dos jornalistas que, segundo ele são “os que produzem a informação e a transmitem” e os documentalistas que “são quem torna a informação localizável, imperecível e recuperável a qualquer momento e em qualquer lugar”.

A parte da tarde começou com o tema “Formação superior de profissionais de Comunicação e Informação”. A primeira intervenção da tarde centrou-se na importância da “Formação dos profissionais da Ciência da Informação (CI) no curso de Jornalismo e Ciências da Informação da UP e foi feita pela Professora Doutora Fernanda Ribeiro, directora do curso de CI e também elemento da organização. Esta intervenção focou essencialmente a criação do curso de Ciência da Informação e teve três tópicos importantes: A mudança de paradigma na era da informação; Pressupostos epistemológicos e teóricos de uma nova perspectiva; Um novo modelo formativo, abrangente e integrador.

Para falar sobre o curso de Ciências da Comunicação esteve presente o professor doutor Rui Centeno, director do curso e elemento integrante da organização, que focou “A importância da Informação no Curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da UP” e falou do curso desde a sua criação em 2000 até aos dias de hoje, passando também pelo tema que a muitos atormenta, a adaptação a Bolonha.

Seguiram-se outras conferências nomeadamente a de Mercedes Sebastian e a de José Antonio Monteiro, ambos da Universidade Carlos III de Madrid, que falaram da “Planificação da União Europeia para alcançar a sociedade do conhecimento em 2010” e das “Novas tarefas e métodos de trabalho do documentalista informativo”, respectivamente.

O primeiro dia terminou com Eulalia Fuentes Pujol, docente na Universidade Autónoma de Barcelona, que falou na evolução da documentação Informativa como uma disciplina ao serviço do profissional dos media.

O balanço deste primeiro dia é muito positivo. O professor doutor Jorge Marinho referiu que “O principal objectivo é que os destinatários deste evento (alunos e profissionais na área das Ciências da Comunicação e Ciência da Informação) sintam que saem das II Jornadas Internacionais mais enriquecidos, com mais conhecimentos do que tinham antes. Para nós isso é muito positivo, mais até do que encher anfiteatros, como aconteceu neste momento. Mais do que quantidade queremos qualidade. A qualidade adquire-se, entre outras coisas, através do lema: cooperar internacionalmente é progresso e a UP está a progredir”.

Segundo Mercedes Sebastian, o primeiro dia correu lindamente e está a gostar muito de colaborar com a UP neste congresso. “Considero muito importante a união entre as universidades e garanto que continuarei a colaborar com a UP sempre que for possível”, refere.

O segundo dia

No primeiro dia, os temas das comunicações feitas centraram-se mais no meio académico, nomeadamente no funcionamento dos cursos de CI e de CC e nas várias disciplinas e estudos relacionados com Documentação e Informação.

O segundo dia centrou-se no trabalho de campo, desenvolvido diariamente pelos profissionais de informação e documentação em vários órgãos de comunicação social.
O tema fulcral foi “Memória e uso da informação nas políticas jornalísticas”, sobre o qual falaram profissionais de alguns media bem conhecidos como a RTP, a SIC, o grupo Impresa, o Portugal Diário, o Público ou o JPN.

Uma das intervenções que conseguiu mais interacção com o público foi a de Maria João Lopes, directora da GESCO (Gestão de conteúdos e meios de comunicação, SA), do grupo Impresa. O tema de que falou foi “O acesso e uso da informação no grupo Impresa”, mais particularmente da empresa que dirige (GESCO). Segundo a representante, “os objectivos da GESCO são liderar em: serviços de tratamento documental e gestão de arquivos e ainda na venda de conteúdos de informação jornalística na Internet, com todos os cuidados que são exigidos, nomeadamente em relação à gestão dos direitos de autor e ao controlo rigoroso dos acessos e dos utilizadores”.

Para encerrar as intervenções da manhã, Fernando Zamith, coordenador geral do ciberjornal JPN – JornalismoPortoNet, apresentou o caso deste jornal online quanto à “recuperação da informação nos ciberjornais”. Nesta comunicação, o professor da disciplina de online do curso de Ciências da Comunicação, frisou a importância da associação de etiquetas temáticas a cada página (tagging, tags ou marcadores), que se associam aos tradicionais métodos de recuperação de informação na Internet, como a caixa de pesquisa e a página de acesso ao arquivo. Relembrou que, apesar da importância que o tagging tem para o ciberjornalismo, este continua ausente nos sites portugueses, sendo o JPN uma excepção a esta regra.

Marta Maia, aluna do Curso Ciências da Comunicação, disse ao JUP estar a gostar do segundo dia das jornadas. “Estou a gostar mais do segundo dia do que do primeiro porque acho que tem mais a ver com a minha área. O primeiro dia foi mais virado para a documentação e o segundo dia está mais virado para o jornalismo, que é a área que eu quero seguir.”

A parte da tarde abriu com duas intervenções muito apelativas. A primeira foi a de Ana Franqueira da SIC, que falou da “Gestão e Arquivo de Conteúdos Digitais na SIC Televisão”.

Logo a seguir foi Hilário Lopes quem tomou a palavra. O responsável pelo arquivo audiovisual da RTP, falou da “Informação e memória na RTP: a plataforma de arquivos digitais DAM.” Hilário Lopes sublinhou a existência de um novo paradigma, “concretizado na facilidade e simplificação do acesso à informação arquivada, que potencia o aumento da qualidade dos conteúdos produzidos. Por outro lado, este paradigma, impõe alterações ao perfil de competências de jornalistas e técnicos de Ciências Documentais, dando-lhes também novos desafios”.

A última intervenção do segundo dia foi feita por Johannes Beck, chefe da DW-Radio em Português. A Deutsche Welle (DW) é a rádio e televisão internacional da Alemanha, tendo também emissão em Português. O seu representante referiu a importância dos bancos de dados da DW, disponíveis a todos os jornalistas da empresa na sua página Intranet. Alertou ainda para uma situação menos agradável que foi o facto de o banco de dados ter perdido muita importância em anos passados devido à livre divulgação de dados na Internet.

Para terminar fez-se o habitual debate, onde se colocaram várias questões que agitaram o salão nobre da FLUP, provocando uma saudável interacção entre a audiência e os oradores.
As II Jornadas Internacionais terminaram com um ambiente de boa disposição e descontracção trazido pela CUCA, a tuna masculina da FLUP, que actuou durante cerca de meia hora.

O balanço final feito pela organização é animador. O professor Armando Malheiro disse ao JUP que a adesão do público excedeu as expectativas. “A adesão ultrapassou as expectativas. As segundas são, de facto, em muitos aspectos primeiras. Isto porque conseguimos uma participação mais alargada, conseguimos concretizar o modelo de pôr pessoas que fazem investigação com pessoas que estão no terreno e estabelecer o diálogo, referiu entusiasmado.”

Também a professora Maria Pinto se mostrou muito satisfeita com o resultado final do evento. “Para os objectivos que foram traçados, eu acho que eles foram plenamente atingidos. Com as apresentações que aqui foram feitas e em que tivemos as duas dimensões, por um lado a comunidade académica e as suas preocupações de investigação e, por outro lado, os profissionais no terreno e os problemas que são suscitados pelo desafio digital em que vivemos, permitiram que todos tivessem a percepção daquilo que é preciso fazer.”

Dado o sucesso comprovado destas II Jornadas Internacionais não será de estranhar que se continuem a realizar. Os vários temas abordados ao longo destes dois dias comprovaram que entre Ciências da Comunicação e Ciência da Informação há relações estreitas que devem ser estudadas e debatidas para aumentar o conhecimento dos profissionais das áreas e facilitar o seu trabalho.

Thursday, October 18, 2007

Laboratório de Som e Imagem



Tudo Focado




Muita Profundidade de Campo






Pouca Profundidade de Campo

XXI Festival Internacional de Tunas Universitárias


O evento que enche de capas negras o Coliseu do Porto

Nos próximos dias 19 e 20 deste mês o Coliseu vai receber mais uma vez o Festival Internacional de Tunas Universitárias do Porto, organizado pelo Orfeão Universitário do Porto (OUP). As melhores tunas universitárias de Portugal fazem o cartaz do festival que “promete ser um sucesso”, segundo a organização.

O mais antigo e mais prestigiado Festival de Tunas do país, está mais uma vez prestes a acontecer. Nos anos anteriores juntou cerca de 6000 pessoas no Coliseu do Porto, desde estudantes a pessoas da cidade que vão porque apreciam o espectáculo.

Segundo João Carlos Soares de Sousa, da Comissão Organizadora do XXI FITU, “este ano a maior diferença que vai haver relaciona-se com as tunas convidadas. Apostámos mais nas tunas portuguesas. Num festival de tunas não há muita variação possível de ano para ano. Vai haver uma alteração quanto aos bares escolhidos para diversão pós-festival, pois este ano decidimos ter só um bar na Ribeira do Porto, em vez de dois como é habitual.”

Este ano as tunas convidadas pertencem à Liga dos Campeões Nacional, ou seja, ao grupo das melhores tunas do nosso país. As contempladas são a Tuna Académica de Lisboa, a tuna do Instituto Superior Técnico de Lisboa, a Tuna Universitária de Aveiro, a Tuna Universitária do Minho, a Tuna Académica da Faculdade de Economia da UP e a Tuna da Faculdade de Engenharia da UP. Quanto a tunas estrangeiras, este ano apenas estará presente a Tuna Universitária da Colômbia.

A Tuna Universitária do Porto, a Tuna Feminina da Orfeão Universitário do Porto e a Tuna da Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade do Porto também vão fazer parte da lista dos espectáculos, embora não participem na competição.

Para apresentar o espectáculo estarão em palco, como é tradição, os Jograis do OUP que, com o seu humor e boa disposição, animam o público, ao mesmo passo que apresentam todo o evento.
O festival terá início dia 19, sexta-feira, por volta das 21 horas, embora o Coliseu abra as portas às 20.30.

Provedor do Estudante da UP

Um apoio que muitos desconhecem

A Universidade do Porto (UP) possui uma entidade que muitos alunos desconhecem: o Provedor do Estudante. Este serviço de apoio aos alunos é actualmente representado pela professora Maria de Lurdes Correia Fernandes. Ao JUP, a professora falou das suas funções e dos pedidos de ajuda que mais lhe chegam às mãos.

A figura do Provedor é uma entidade criada há cerca de 3 anos pelo Senado da UP e a ela cabe o papel de escutar a voz dos alunos e dirigentes das estruturas da Universidade com eventuais queixas ou dúvidas que surjam. Deve analisar cada caso e intervir, dando sugestões e tomando decisões concretas. Em entrevista ao JUP, a Provedora do Estudante afirmou que “o provedor deve velar pela sã convivência universitária e por ver se os estudantes estão a ser tratados com a dignidade que merecem. Tem também um papel de mediador entre o estudante e a instituição, ou seja, os órgãos de gestão, os professores, por forma a resolver situações de conflito ou de não respeito pelos direitos e deveres quer pelos professores como pelos alunos”.

Nem sempre os protestos que os alunos da UP apresentam são totalmente correctos e cabe à Provedora do Estudante averiguar os dois lados, ou seja ouvir o estudante mas ouvir também a instituição de que este se queixa. Segundo a professora Maria de Lurdes, “o meu papel é sobretudo o de ver os problemas que existem , tentar dar uma opinião, mediar conflitos e tentar averiguar se o estudante tem razão. Nem sempre o protesto do estudante é totalmente justo. É sempre de um ponto de vista a que eu atendo, mas tento sempre ver também o outro ponto de vista e ouvir a opinião do lado oposto. Caso se detecte que o estudante tem razão, tomarei as medidas de aconselhamento (visto que não tenho poder executivo) para solicitar que sejam corrigidas situações que são anómalas no quadro do que são as regras de sã convivência e de funcionamento da Universidade do Porto”.

Apesar de este serviço prestar um importante papel de apoio aos alunos, poucos são os que o conhecem. Em conversa com alguns alunos das várias faculdades da UP, a ideia geral é a de que quase ninguém sabe da existência do Provedor do Estudante.
Cristina Maia, aluna do 3º ano da faculdade de Ciências Farmacêuticas diz nunca ter ouvido falar neste serviço que a UP disponibiliza. “Nunca ouvi falar. Mas nunca é tarde e a partir de agora, se tiver algum problema de maior, já sei a quem recorrer. Penso que é muito bom que haja um Provedor do Estudante porque, muitas vezes temos problemas que a secretaria não nos consegue resolver e assim é-nos garantido um outro apoio.”

Sandra Pinto, aluna do 2º ano do curso de Direito da UP, sublinha a necessidade de os alunos terem apoios deste tipo dentro da Universidade. “Penso que é importantíssimo que haja um apoio como este para que os alunos exponham sem problemas as suas dúvidas e esclareçam os seus problemas. É uma pena não haver mais divulgação sobre este serviço, pois tenho a certeza que muitos alunos tentariam este apoio, principalmente quando se sentem injustiçados e na secretaria da faculdade não lhe fazem nada. Eu própria não sabia que existia.”

A actual Provedora do Estudante admite que a divulgação que é feita sobre os seus serviços pode ser melhorada e garante que vai tomar medidas por pôr esta informação mais acessível no site da Reitoria.

São vários os meios através dos quais os alunos podem contactar com a Provedora do Estudante. “O mais utilizado é o e-mail, mas também mandam muitas vezes os pedidos por carta ou marcam com a minha secretária uma audiência. Este ano têm chegado muitos pedidos via e-mail relacionados com a implementação do processo de Bolonha, principalmente no que toca aos planos de transição. O tipo de reclamações varia com as alturas do ano. Quando há mais afluência é na altura em que saem os resultados dos exames finais. Também tenho alguns casos de problemas pedagógicos. Aí, normalmente peço ao Conselho Pedagógico que analise a situação”, refere a professora Maria de Lurdes.

Segundo a Provedora do Estudante, muitas vezes os alunos têm receio de falar sobre determinadas situações, sobretudo quando têm que referir o nome de um professor, pois têm medo das represálias. “Quando o estudante tem razão, deve dizer que acha que tem razão e expor o problema. Se o problema for de vários alunos, o ideal é fazerem um texto e assinarem em conjunto. Quanto á identidade, se um aluno me pedir que reserve a sua identidade, em caso algum direi quem me fez a queixa”, esclarece a professora.



Cláudia Gomes

Empreendedorismo na UP

Novo clube na Universidade do Porto
Em busca do espírito empreendedor dos alunos


Na passada quinta-feira, dia 27 de Setembro realizou-se no salão nobre da Reitoria a primeira Assembleia Constituinte do Clube de Empreendedorismo da Universidade do Porto (CEdUP).
O clube foi promovido por dois alunos e dois alumni (ex-alunos) da Universidade do Porto (U.P.) e, segundo o vice-reitor, professor Jorge Gonçalves, “a ideia foi muito bem recebida pala Reitoria. Tenho grande confiança no projecto. Estou convencido que vai ser um sucesso.”
Nesta sessão foram apresentados os princípios e objectivos do clube e foram, ainda, feitas algumas inscrições de novos sócios e eleita uma parte do Conselho Fiscal.


No início da sessão o clima era de grande confiança no projecto mas também de alguma ansiedade. Roberto Leão revelou ao JUP as suas expectativas. “Espero que apareçam alguns dos interessados da comunidade da U.P. no empreendedorismo, que venham saber o que é que se está a planear fazer este ano e se inscrevam como sócios e depois que ajudem a eleger os representantes dos sócios no conselho geral”, disse.

A ideia de criar este clube nasceu em conversas informais de um grupo de alunos e alumni da U.P. e também colegas do Orfeão Universitário do Porto (OUP). Os seus promotores, Roberto Leão, Gonçalo Cruz, Tiago Espinhaço Gomes e Marcus Dahlem formaram o Clube “para que houvesse no país uma instituição de carácter informal que pudesse juntar os que têm vontade de empreender dentro da Universidade”, esclarecem.

Segundo os promotores,“sentimos que havia um vazio total no país porque o trabalho feito no estrangeiro tem tido muitos resultados. Apercebemo-nos, também, que na semana em que a Faculdade de Letras organizou o evento “Semana de Empreendedorismo AEFLUP/ Caixa Geral de Depósitos” todos os alunos, das várias faculdades, demonstraram interesse por esta temática.”

O clube tem como objectivos principais juntar os membros da U.P. com vontade de empreender, divulgar a temática do empreendedorismo junto da comunidade da U.P. e promover a cooperação com iniciativas internacionais homólogas. Vai estar aberto a toda a Universidade, aos alunos, aos alumni e aos funcionários. Segundo Roberto Leão, “decidimos ultrapassar as barreiras habituais que distinguem alunos, professores, funcionários e ex-alunos e decidimos abrir a todos a possibilidade de pertencer ao clube.”

Ao JUP, o professor e vice-reitor Jorge Gonçalves confessou: “tenho grande confiança no projecto. As pessoas que formaram o clube têm uma experiência e uma percepção das dificuldades que os estudantes têm e permitem-nos uma abordagem diferente do problema: Não são os professores a impor um conjunto de temas; os temas surgem para responder às necessidades que os estudantes sentem, é a melhor forma de aprender”. Acrescentou ainda “nós queremos que isto sirva para sensibilizar os estudantes dos problemas do mundo de trabalho o mais cedo possível. Vale a pena as pessoas enfrentarem os problemas.”

Para se ser sócio do clube, devem preencher-se alguns critérios, nomeadamente ter sido trabalhador-estudante, ter praticado desporto de alta competição, ter feito voluntariado, ter participado em actividades de associativismo, ter pertencido ao OUP ou ao Teatro da U.P., ter pertencido a uma empresa Júnior ou ter feito um programa de mobilidade internacional como o ERASMUS. Os promotores justificam estes critérios dizendo: ”é para assegurar que há um mínimo de característica empreendedora nos sócios. A malha de alunos e alumni que podem preencher estes critérios é de muitos milhares.”

O clube vai promover várias actividades, como workshops e conferências informais com oradores advindos do mundo empresarial. Via haver ainda uma reunião bimensal completamente informal “onde vai estar um provocador, que lança um tema de debate para a mesa, onde se vão trocar ideias, conhecer pessoas novas, conversar”, explica Roberto Leão.
As actividades do clube começam já este mês e, neste 1º semestre os membros estão isentos de do pagamento de cotas ou jóia.



Cláudia Gomes

Pequena explosão não passou de um grande susto

Pequeno incêndio na Escola Superior de Tecnologia de Saúde do Porto não fez feridos, só danos materiais.

Os alunos e funcionários da Escola Superior de Tecnologia de Saúde do Porto (ESTSP) e do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto foram surpreendidos hoje, sexta-feira, a meio da manhã, por uma explosão no interior do edifício que partilham, na Praça Coronel Pacheco, no Porto.

O alarme não disparou e a evacuação do local fez-se com avisos de porta em porta nas várias salas de aula por funcionárias e alunos. Passados poucos minutos de o edifício ter sido evacuado, chegaram as corporações de bombeiros (três carros dos Sapadores Bombeiros do Porto e um carro dos Bombeiros Voluntários da cidade).

Segundo as funcionárias da secretaria do curso de Ciências da Comunicação, a explosão sentiu-se de forma intensa no rés-do-chão do edifício. “Ouvimos um grande estrondo, que fez abanar as secretárias e as janelas. Depois de chamarmos os bombeiros, saímos a correr”, contou ao JPN Ana Paula Pereira.

Joana Miranda, da televisão interna da universidade UPmedia, estava a trabalhar no seu gabinete quando olhou pela janela e se apercebeu das chamas. “Vi labaredas e assustei-me. Estava a trabalhar e vi chamas e fumo numa sala. Desci a correr a avisar que estava a arder”, descreveu. Alguns docentes, que davam aulas no 1.º piso, não se aperceberam do ocorrido.

A directora do ESTSP, Maria João Cunha, disse aos jornalistas não perceber porque é que o alarme não accionou.

Inquérito à origem do fogo

A intervenção dos bombeiros foi rápida e fez-se de uma forma ordenada. Não houve feridos. Apenas uma aluna, que ficou mais tempo retida no edifício, teve alguns momentos de pânico, mas foi devidamente acompanhada pelo INEM, que estava no local com duas viaturas.

Segundo o chefe Francisco Figueiredo, do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, os estragos cingiram-se a algumas cadeiras e à pintura da sala onde deflagrou o incêndio. Quanto à origem do fogo, ”terá que ser apurada pelas entidades competentes”. Acrescentou ainda que “o grande problema esteve relacionado com os fumos tóxicos, pois havia cadeiras que eram almofadadas e originaram muitos fumos”.

Por volta das 12h10, os bombeiros abandonaram o local e o edifício foi fechado, sendo só permitida a entrada de funcionários e de agentes da polícia, para avançarem com as investigações. A escola reabriria às 14h00.


Cláudia Gomes

Monday, November 13, 2006



Criança para sempre! Adoro-te Winnie

Monday, October 02, 2006

Visão geral sobre os sites portugueses

Jornalismo online português: a anos luz da nata internacional

Os sites de informação portugueses são demasiado rudimentares, simples, “facilitados”. A partir do momento em que a Internet possibilita o surgimento de mais um tipo de jornalismo, como é o jornalismo online, todos os esforços deveriam ter sido encaminhados no sentido de fazer um novo meio de comunicação de massas “em grande”. Isto implicaria aproveitar ao máximo todas as potencialidades que o meio em questão abarca.

Basta passar os olhos pelos sites de informação portugueses mais conhecidos para se chegar à conclusão que algo está a falhar. Esta “falha”, se assim lhe posso chamar, torna-se mais evidente para o utilizador se este em seguida abrir uma página web de um site de informação americano, por exemplo.

Os sites informativos portugueses, como o do “Jornal de Notícias” ou do “Público”, por exemplo, são sites com um grafismo muito básico, mal explorado/aproveitado, na minha opinião.

Relativamente a características básicas que um site deve possuir, muitas delas não se encontram nos sites de informação portugueses. Ao nível da multimedialidade muito há a fazer e a alterar nos nossos sites, para que façam um bom aproveitamento dos recursos multimédia.

É esta característica da multimedialidade que, na minha opinião, distingue este meio de comunicação de todos os outros. Se não houver um bom aproveitamento da mesma, os jornais online não passam de uma mera representação do jornal na sua versão tradicional em papel.

Se pretendermos comparar um jornal online português e um americano, muitas diferenças vamos encontrar. Para começar o grafismo do americano é muito mais trabalhado e pensado do que o do português. Outra grande assimetria verifica-se ao nível dos recursos multimédia. Os jornais americanos têm à disposição dos seus utilizadores um vasto leque de notícias escritas, vídeos, sons, imagens…Tudo organizado de uma forma simples para que o utilizador encontre rápida e eficazmente aquilo que pretende.

Outro problema que eu encontro no site do “Jornal de Notícias” é ao nível da interactividade, pois este não tem um fórum de discussão claramente identificado pelo utilizador. Ou seja, apesar de haver fóruns de discussão sobre o site, estes não estão visados na pagina web do “Jornal de Notícias”.

Quanto à hipertextualidade, no site verifica-se a utilização do hipertexto, que nos leva, geralmente a outras notícias relacionadas com aquele tema. Penso que devia haver mais links para outros sites, que permitissem ao utilizador navegar pela Internet e aprender mais sobre o tema.

Em termos de usabilidade, o site é usual, não é confuso, ou seja, é fácil de utilizar. Mas a sua simplicidade, na minha opinião, é um defeito. Podia ser um site mais trabalhado, mais organizado, e ser igualmente usual.

Através desta análise, verifiquei que, apesar de achar que muito há a fazer nos sites americanos, a evolução destes não se compara à dos portugueses. Os sites portugueses em geral e o do “Jornal de Notícias” em particular, têm um longo percurso pela frente até conseguirem atingir um nível razoável nos parâmetros-base que um site deve possuir (Design; Usabilidade; Multimedialdade; Interactividade; Hipertextualidade).



Alguns sites a que foi feita referência:

www.jn.sapo.pt

www.nytimes.com

www.publico.clix.pt

www.cnn.com

Labels: ,

Friday, September 22, 2006

Trabalho de Online 2º ano


Site “USA Today”

Escolha de um site, tendo em conta os parâmetros: design, usabilidade, multimedialidade, interactividade e hipertextualidade.

O site que eu escolhi é o "USA Today". Este site pereceu-me, de entre todos os possíveis, aquele que tinha mais em atenção os parâmetros mais exigidos num bom site, nomeadamente os do design e da multimedialidade. É um site que capta muito a atenção do visitante, por toda a sua cor e interacção. Com seu carácter interactivo, este site respeita ainda mais um dos parâmetros base dos sites.

As características da usabilidade e da hipertextualidade também estão bem visíveis no site do "USA Today". O facto de terem associado as várias editorias de notícias a cores diferentes, torna a procura das notícias muito mais rápida e acessível. A hipertextualidade é um trunfo muito importante ao dispor do jornalismo online, que neste site, está bem visível ao longo de todas as notícias que se nos vão apresentando.

Algumas notícias disponibilizam ainda um suporte de vídeo. Alia-se, assim, a escrita ao som e à imagem em movimento. Esta espécie de "sinestesia" cativa o visitante do site. Este consegue captar sensações e informações através de vários sentidos. Há, uma grande vertente de multimédia no site, aliada a uma fácil usabilidade, que penso satisfaz quem procura boa informação de fácil "digestão".

Considero que este site se destaca perante os outros, pois penso que os outros são demasiado “maçudos”, com pouca cor, monótonos, confusos e muito parecidos com o formato dos jornais tradicionais, em papel.


Site "roanoke.com"

Escolha de um site inserido em: “General Excellence in Online Journalism”:

Na minha opinião o site “Roanoke.com” aproveita muito bem todas as potencialidades que o meio “Internet” tem à disposição do jornalismo online. Neste site podemos encontrar a informação bem organizada e um vasto leque de informação multimédia. Temos presente o recurso ao vídeo, ao texto, à fotografia e ao som de uma forma muito positiva. No site existem “Online exclusives”, que abarcam estes exclusivos de vídeos, áudio slideshows, entre outros e os põem à disposição de todo o público em geral.

Penso que as editorias das notícias estão organizadas de uma forma clara e sintética e que este site tenta fugir ao padrão dos jornais tradicionais(de papel). Ele está concebido de uma forma “leve”, que não cansa o visitante.

È um dos sites mais simples, mas essa simplicidade, na minha opinião, é-lhe muito favorável. Os sites contêm muita informação, de forma mal organizada, o que os torna “enfadonhos” e cansativos.

http://www.roanoke.com/wb/xp-index

Site “NOLA.com”

Escolha de um site da categoria “Breaking news”

Considero o site “NOLA.com” o melhor na categoria “Breaking news”, pois alia um excelente jornalismo a uma optima utilização dos recursos multimédia.

A reportagem “Katrina: one year later” e todas as outras associadas a esta, que aparecem na página web em forma de links, demonstram bem o carácter de multimedialidade, hipertextualidade e interactividade.

Quanto ao design, esta reportagemm está muito bem pensada. As imagens, as cores, a distribuição de forma organizada da informação “denunciam” um cuidado evidente na construção desta página web.


http://www.nola.com/katrina/

Escolha de um trabalho da categoria de “Student Journalism” :

“Chasing Crusoe,” University of North Carolina at Chapel Hill School of Journalism and Mass Communication and the Universidad de Los Andes, Facultad de Comunicación


Na categoria de “Student Journalism” escolhi o trabalho do “Chasing Crusoe”, pois, na minha opinião, é o trabalho que está mais bem elaborado, nomeadamente ao nível do excelente uso dos recursos multimédia.
Explorou-se a imagem e o som e a interactividade entre estes dois recursos.
O uso da voz na apresentação do trabalho conferiu-lhe um grande carácter de veracidade e de multimedialidade.
Na introdução apostou-se numa breve e suave música de fundo, que torna o visionamento do trabalho mais interessante, menos monótono. Assim, o utilizador mantém-se muito mais envolvido ao longo da sua “navegação” pelo trabalho.
Quanto ao aspecto geral do site, penso que se conseguiu transmitir a misticidade da história que se está a narrar. Não só a misticidade mas também a grandiosidade e o oculto da história.
Neste trabalho recorreu-se, também, à infografia para representar a ilha onde estava Crusoe e o modo como ele organizava a sua vida.
De uma forma pormenorizada e esclarecedora, este trabalho consegue contar a história deste tão conhecido homem que sobreviveu nas mais escassas condições de vida.



http://www.rcrusoe.org/

Labels: ,